24.1.12

De “O peixe e o pássaro”(1974) a “Vermelho Amargo” (2011) - Terezinha Pereira

A seguir, um belo texto da escritora pará-minense Terezinha Pereira, enfocando toda a obra de Bartolomeu Campos de Queirós. Texto publicado  em 24/01/2012, na coluna que a escritora assina no Jornal Diário de Pará de Minas

De “O peixe e o pássaro”(1974) a “Vermelho Amargo” (2011)

Bartolomeu - o voo de um poeta nas asas das letras

(Terezinha Pereira)

Minerações propõe cavar o chão para extrair riquezas. Além disso, lembra o lapidar palavras para encontrar matéria de poesia.  É possível. Fizeram-se os Apontamentos no escuro das noites. Todos sonharam palavras. Na verdade, não é preciso entender o poetar. É só deleitar-se. O poeta. Num dia de agosto 1944, em terras pará-minenses, nasceu um escritor poeta. De pequeno, nem intenção tinha de se tornar escritor. Queria unicamente contar uma história estória. 

Foi assim. Como assim? Seu primeiro brinquedo foram as letras do alfabeto. Com o brincar com as letras e a cumplicidade da mãe, aprendeu sonhar palavras. A mãe soprava-lhe vogais, consoantes. Depois apontou-lhe os pontos. Primeiro, creio, deve ter sido o de interrogação. Eta menino perguntante! Menino também admirador. Ligeiro, já sabia manusear a exclamação. O ponto final ficou por último. Só pode. Depois, a escola completou-lhe as orações.

Com o tempo, fez-se escritor poeta afeito a fantasias com jogo de letras, a divagações, De letra em letra. Emparelha uma aqui, às vezes deixa entrar alguma no meio, mais outra atrás e mais alguma outra na frente. Constrói palavras. Permeia palavras com espaços e põe sentido. Pra melhor dizer, atiça, de quem o lê, Os cinco sentidos. É um perigo. Por meio dos sentidos suspeitamos o mundo.”

 O aroma do pão induz ao paladar. Transtorna letras e Raul vira luar. No entanto, Bichos são todos … Bichos, poeta o poeta. Devaneia com As patas da vaca, do gato, do pato e do rato numa Estória em 3 atos. Anacleto, neto, garoto esperto, veio de gaiato. Trouxe (de volta?) casos do gato Alberto, o pato Norberto e o rato Donato. Um palavreado danado. De bom. O Ovo e o Anjo

Piolho. O piolho _ ora_ esse mora na cabeça do repolho. Coitado. Do repolho _ ora.  O pato pacato, pacato!  Que nada. Só sabe perder para a lagosta que gosta de vencer. Outro(?) pato tem sapato e tem pé o sapo;  sapo+pato dá sapato. Porém, a patroa do “seu” pato tem pé-de-pato e não nada patavina. E o Papo de pato? É pelado, penado. Depenado!

Isso não é um elefante! A fome enxerga alterado. O estômago da formiguinha formigava, formiga faminta e feroz, formiga esfomeada, fraca e farta de fome.” Com fome, a pequena formiga, devagar, come um elefante. A formiga amiga é a que dorme no açucareiro.  Desprendida. Que nem peixe; que nem pássaro. O peixe e o pássaro… Esses têm lá seus receios. Ou de anzol, de redes, de peixe maior. Até de estiagem. Ou de estilingue, que, para bem do voar, virou coisa caída de moda. E de alçapão, visgo ou chuva.

Nada a fazer. Se Até passarinho passa. Encontra e desencontra. Sabe-se que Para criar passarinho precisa de azul de céu, de aragem, de fruta no pé. Entretantos, vive o homem, convive, Sem palmeira ou sabiá, sem mar. Porém, chove e o meninomem põe sal na aguaceira que a chuva deixa no terreiro. Quisera poder trazer o mar pra frente do olhar. 

Ah! Mar… longe do mar inventa-se um oceano e navega. No sonho. Na poesia, fantasia.  Bom mesmo é para o Mário que é feito de mar, de ar, de rio. Em A árvore o mar é de folhas. Acolhe as borboletas, as cigarras, os grilos, as lagartas, as formigas, as abelhas…

O Pedro brinca com tintas e tem o coração cheio de domingo. Aprecia pintar borboletas a voar, a baralhar cores no ar. Se Coração não toma sol, Flora passa o dia escutando o sol. Creio, espera ouvir se é boa hora de soltar os renovos. Antes do depois, o eu fala das dores do parir, do chegar sem o querer num mundo de cor demais, de som demais.

Menino inteiro foi o filho esperado com ternura pelos pais José e Maria que moravam na mata.  No dia em que ele viu o clarão do mundo, descobriram que as árvores estavam mais verdes, as flores mais encarnadas, as águas mais cristalinas, os trovões mais delicados, o infinito mais compreendido. E todos os animais foram conhecer a inteireza do menino. O certo é que o menino nasceu e partiu deixando um recado para ser lido no cosmo infinito, no espelho da água, no silêncio da pedra… Escritura faz o renascer do Menino de Belém. Mas… Que Menino é o de Belém? É um que possui o rio como rua. Flui livre. Em paz. Menino que era filho de Maria, que era filha de Ana. Contou o poeta que Maria, que ainda não lia, queria saber de o Livro de Ana, a mãe.  _ “No princípio só existia o vazio. [...] Ele criou o mundo” Maria, menina, quis saber d’Ele. “Ele é o sempre_ rezou a mãe”. E a mãe conta: “No primeiro dia… , no segundo dia… , no terceiro… , no quarto … , no quinto… O sexto foi o do embelezar. O sétimo, o do contemplar.” Certeza tem o poeta de que “não há belezas sem perguntas”.  E assim… “Entre o adeus do sol e o boa-noite da lua, Ana se assentava com o livro aberto sobre os joelhos. Nesta hora, um sossego mora no céu e visita a vida.

Sei por ouvir dizer. Não era só uma vez. Era uma vez, mais uma vez, mais uma vez… A mulher tinha três idades, três nomes. Maria (a não era a filha de Ana) do Céu, das Dores, das Graças. Três pares de óculos. Um para ver o perto, outro para ver o longe e mais um para procurar os outros dois. _ Menino que está na história, o que faria com tantos óculos?  _ Eu? Aproximaria coisas boas. Punha lá longe as ruindades da vida. Ora, as coisas normais!  Tão corriqueiras. Imperceptíveis.

De quem é o olho que vê a Matinta Perera? O guarda-chuva do guarda guarda a chuva? Ou guarda o guarda da chuva? Onde tem bruxa tem fada. Bruxa? Fada? Segredo! Guardo até amanhã. Quando chega amanhã fica para amanhã, que também tem amanhã. Como tem o tempo que dá a conhecer a Rosa dos ventos que revela a quentura do sol do verão, o desfolhar do outono, a friagem do inverno e além, o desabrochar das cores das flores. Valem os rumos da rosa, os do sol que acorda no leste e cai no sono no oeste. Contudo, a rosa não aponta os rumos dos Ciganos que surgiam “sem saber ao certo de onde vinham ou para onde iam, todavia, roubavam até o sono das crianças”.

Em Indez, o mundo não estava dividido em dois, um para as pessoas grandes outro para os miúdos. As emoções eram de todos. Silencioso era o amor. Ah! Palavras… Mistura de letras. Algumas de muitas leituras e sentido. Com elas se põe feitio ao Diário de classe: _ Menino, olha a janela! Ela. Jane. Nela. Olha a Jane na janela. E a Mariana, a Maria que do outro lado tem Ana; que tem Marina, marina, mana, Marina… É hora de saber Ler escrever e fazer conta de cabeça. Tempo de virar gente grande com coração de menino pequeno, que constrói sonhos e carrega lembranças de gentes, de fatos e de coisas do Pará e de outros lugares de Minas.

O menino aumenta de comprimento e atina que Mais com mais dá menos. É. Juntando-se mais tristeza com mais tristeza dá menos alegria. Correspondência é moldada com palavras, com permuta de palavras. Algumas que devem ser acordadas e outras que precisam dormir. Acorda trabalho, acorda justiça, acorda terra! Ora, ora. Por onde andam os mitos dos Cavaleiros das Sete Luas? De não em não. Se existe um ser (ser?) que deva ser morto é a fome. Sob pena de essa devorar a vida que Faca afiada leva. Morte tramada na calada da noite por pai e mãe. Faca no pescoço. O menino escuta e vive noite de terror, com piados de coruja e rumor de córrego e de vento nas árvores. No entanto, no final das contas, o almoço do dia seguinte é farto e feliz. Apesar do fato consumado. Quem lê, sabe.

Somos todos igualzinhos. Quando somos diferentes, o mundo fica menos pobre, mais nobre. Ser igual é perder a diferença e não marcar presença! Todos nós nascemos livres. E, libertos podemos repartir com o outro o que há de melhor na vida. 

Por parte de pai, conta do avô que vem de um tempo que ficou na lembrança. O avô de O olho de vidro do meu avô. Olho vivo azul de vidro buscado na cidade grande. O neto diz que ainda via o olho do avô, cor do mar, dentro de um pires, por sobre a mesa de seu escritório. O olho de vidro do avô_ o que de mais vivo trouxe do passado. Vivo, o avô do olho de vidro que devia ser mágico, não cansava de espiar, mergulhava fundo.

Entre palavras tantas, ocorre Vida e obras de Aletrícia depois de Zoroastro _ de A a Z. É momento do riso, do pensar coisas. Aletrícia, sem amor, com dor, faz sua rotina pela ordem das letras: de a a z. Letras ficaram no lugar de sua ida paixão. Zoroastro. A rotina diária envolve o acordar, o sair da cama e o deitar derradeiro na noite. As tarefas do dia, antes as começadas com a, depois com b, … h…j…Z. Tantas letras, tantas tarefas. Foi assim que Aletrícia viveu depois de Zoroastro ir-se. (Presumo. Zorro é seu astro e a garota toma sopa de aletria).

Revelou segredos em Para ler em silêncio. Instalou o leitor diante de uma página em branco, de uma tela de computador, à cata de matéria prima - palavras. Confessou o que sentia? Até que, errando, seu pensamento foi ao tempo de menino. E veio o Tempo de voo. Tempo que não para. “Passa ligeiro e ninguém consegue tocá-lo”,justifica. “Ele tem medo de não atender aos nossos pedidos, por isso, não nos escuta.” “Viver é gastar o tempo… Viver é diminuir. (Ah, o seu tempo diminuiu ligeiro, Bartô. No último 16 de janeiro você alou-se. Largou-nos moucos, calados, carecidos.)

Existe Rosa rosa. Por outro lado, há Vermelho amargo, que em vida, foi o derradeiro. “Escrever é procurar parceiros para decifrar a intensidade dos mistérios. Escrever é ‘não saber’ e recorrer ao leitor para nos ajudar a decifrar o mistério que inaugura o escritor. [...] Escrever, digo sempre, é abrir a porta sabendo que o resto da paisagem está no coração do leitor. E mais: escrever é tomar posse dos limites.” Amargado vermelho-tomate.

Ora, leitor, se você está meio perdido… a literatura está viva. Deixe-se brincar com as palavras. Busque o texto do poeta. As partes destacadas acima são títulos da obra de Bartolomeu Campos de Queirós, aquele que um dia quis escrever uma história estória, achou o jeito e não mais parou. Habitou pequenos lugares das Minas, nos quais juntou pontos e vírgulas. Buscou interrogação e exclamação em Paris, no mundo, nas leituras.  A maior parte viveu em Belo Horizonte a jogar com a fantasia, com o encantamento. Seriamente. Longos foram os seus voos. Pena que não tenha sido tão longo o seu tempo.

 

Carmélia Cândida    12:34:00 — Arquivado em: Crônicas


16.1.12

16 de janeiro de 2012: Dia triste

 

Dia triste. Muito triste. Faleceu na madrugada de hoje, segunda-feira, em Belo Horizonte, o escritor Bartolomeu Campos de Queirós, aos 67 anos. Para mim, o maior prosador poético da atualidade. Uma grande perda.

Tive o privilégio de ouvi-lo em palestras algumas vezes e, mais ainda, de ter conversas pessoais com ele. Em todas as vezes, Bartolomeu foi muito amável e gentil comigo. Um amor! Quando foi me autorizar a gravar o conto  "A menina que sonhava em ter a Lua", ele me disse "Carmélia, pode usar o meu texto de todas as maneiras que  você desejar. Vai ser uma alegria!" 

Não sei se ele chegou a ouvir/ver o CD. Eu o enviei para ele recentemente  e estava aguardando passar um tempo para lhe telefonar. Então recebi a notícia.

Fica um vazio. Enorme.

 Esteja em paz, Bartolomeu!

Acesse, no youtube, o conto de Bartolomeu "A menina que sonhava em ter a Lua", narrado por mim, com trilha sonora de Urbano Medeiros, clicando AQUI.

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Abaixo,  discurso proferido pela acadêmica Terezinha Pereira, em 9 de setembro de 2010, no auditório do Sindicato Rural de Pará de Minas durante o evento “Encontro com o Escritor” da programação da 2ª. Paraliteratura – Feira de incentivo à leitura”. Nesta ocasião, o escritor Bartolomeu Campos de Queirós recebeu o título de Acadêmico Honorário, que lhe foi outorgado pela Academia de Letras de Pará de Minas, por sua brilhante obra literária de reconhecimento nacional e internacional.

 

 Saudação a Bartolomeu Campos de QueiróS

 

Bartolomeu começou seu tempo de voo em 1974, com o livro O peixe e o Pássaro. Desde o começo, optou por levezas. Seres que se movem com desembaraço, de maneira ágil, suave, delicada e precisa. É possível que tenha aprendido com eles como laborar com palavras que encerram poesia.

Seu plano de voo, foi tecendo desde quando aprendeu a fantasiar, menino ainda, nalguma cidadezinha por aqui. Companheiros de jornada, dados cartográficos, tipo, velocidade, rota e altitude foram sendo ajustados nos campos de pouso, do lado de cá e do outro lado do mar.

Nas suas andanças, viu quase tudo no mundo. Esbarrou com a tristeza, com a dor, com o abandono, com a injustiça, com assombrações. Mas, também, com felizes amores, definitivos amigos e com um mar de palavras. Com elas vem seguindo seu voo no tempo que existe, o tempo vivo, o tempo que nunca viu. Meio a este tempo, seu nome e sua obra se espalharam pelo país, chegaram às universidades e às escolas, atravessaram mares. E, os muitos prêmios lhe atribuídos neste meio tempo, atestam a grandeza de sua obra.

No seu tempo de hoje, sonha o viver num país literário. Acredita que, por sua especificidade de poder dar voz ao leitor, a literatura tem o poder de levá-lo a conquistar sua autonomia, a que lhe dá o direito de escolher o seu próprio destino e de sonhar com outras realidades. Para realizar o que, aos olhos de muitos pode parecer uma utopia, ele conclama o leitor a pensar um Brasil Literário que primeiro passe pelo consumo interno para, num momento posterior se transformar em ação.

 

Caro Bartolomeu,

Como você mesmo diz, o tempo é um saboroso presente. Para nós, da Academia de Letras de Pará de Minas, é chegado o tempo de lhe agradecer pelo presente de sua presença aqui e pelo presente de suas palavras expressas em mais de cinquenta livros publicados.

Tendo em vista sua brilhante obra literária de reconhecimento nacional e internacional, a Academia de Letras de Pará de Minas lhe confere o título de Acadêmico Honorário, tendo como patrono Benjamim de Oliveira.

Carmélia Cândida    12:54:45 — Arquivado em: Memórias / especiais, Pessoal


14.1.12

“Essas Mulheres…” Estréia: 11 de fevereiro

A estreia será no dia 11 de fevereiro, às 20 horas, no teatro da E.E. Fernando Otávio.

RESERVE JÁ O SEU INGRESSO*!

 

  

O espetáculo Essas Mulheres…  tem como pano de fundo a realidade do norte de Minas Gerais.

Mulheres, chefes de família, denominadasviúvas de marido vivo, assumem o comando da casa enquanto seus maridos vão embora, temporariamente, trabalhar no corte de cana em outros estados brasileiros, nos quais permanecem durante 8 a 9 meses por ano.

Ao se verem sozinhas, têm que administrar a seca, a fome e a saudade. O espetáculo Essas mulheres retrata ainda a cultura de um povo que, por meio da música das lavadeiras, do artesanato das bonequeiras, da fé, das festas religiosas e do congado, assume uma identidade forte da cultura brasileira.

Utilizando-se de diálogos de fé, de tristeza, de alegria e de críticas, as personagens trazem para a cena temas que envolvem o amor, a família, a política e a religião.

Essas mulheres, um espetáculo para se emocionar!

Texto e direção: Cláudia Jordão

Elenco:  Carmélia Cândida - Cláudia Jordão -  Cláudia Silveira - Isabel Ferreira - José Roberto Pereira - Monassita Aguiar - Ricardo Rodrigues - Romana Campos

 

* Antecipadamente, os ingressos estão sendo vendidos com preço de meia entrada para todos: R$ 10,00. Podem ser adquiridos com os integrantes do grupo e, em breve, estarão disponíveis na Pará Som e no escritório da Girus

** Próximas apresentações: 25/02 - Mauá (SP)

                                         26/02 - Teatro Elis Regina - São Bernardo do Campo (SP)

 

 

Carmélia Cândida    10:17:32 — Arquivado em: Sem categoria


6.1.12

1, 2, 3 Era uma vez… Histórias com Carmélia Cândida

 

 Apresento-lhes o meu CD  "1, 2, 3, Era uma vez… Histórias com Carmélia Cândida".  O CD traz dois contos, um literário e um popular, com preâmbulo e fechamento da narração. Como extras, um poema  e uma entrevista, na qual falo sobre minha relação com a contação de histórias e com a arte em geral. 

O conto popular é "Gaspar, eu caio!", uma história muito conhecida no Brasil, que meu pai me contava quando eu era criança. O conto literário, que chamei de "A menina que sonhava em ter a Lua", é de um escritor  por cujo trabalho sou apaixonada, o mineiro Bartolomeu Campos de Queirós. Bartolomeu gentilmente me autorizou a usar o conto, e eu estou  feliz e lisonjeada por  isso. É uma história linda, que  a avó — personagem do  livro Faca Afiada — conta para os netos.  O poema é de minha autoria, e a entrevista foi um bate-papo que Urbano teve comigo no estúdio após a gravação dos contos.

 A criação do CD foi uma proposta/convite do talentoso músico Urbano Medeiros, que fez uma trilha sonora linda e especial para nosso trabalho (como estou sendo privilegiada!). Que alegria foi fazer este trabalho com ele! A mixagem e a sonoplastia foram feitas pelo competente Airton de Igaratinga.  As fotos foram feitas pelo Ralston (Luz e Arte Fotografia). A arte ficou por conta  da Luana Aguiar e do Gabriel Rischbieter,  donos da marca  A Girafa e a Lua, de Curitiba. A participação da Luana foi muito especial, pois temos uma bonita história de afeto e amizade que começou com ela sendo minha aluna, com uns 9 anos de idade.

 Agradeço a todos que tiveram parte no trabalho. Ao Urbano Medeiros por ser maravilhoso, e ao Bartolomeu pela gentileza, carinho e atenção.

 É um CD demonstrativo; portanto, não está à venda. Mas pode ser baixado pelo link: http://www.4shared-china.com/rar/4Hlwb6Uq/1_2_3_ERA_UMA_VEZ_Histrias_com.html  

 

 

Carmélia Cândida    22:27:01 — Arquivado em: Download de músicas, Especiais, Pessoal


5.12.11

Flores no túmulo

- Tem gente que parece que veio ao mundo para sofrer! –  Foi o que Emily disse para a a tia Josélia enquanto o caixão  da avó era colocado na sepultura. Depois de pensar um pouco, continua: – A vó parecia tão serena no caixão, né, tia?

Não foi uma vida fácil. Primeira dos quatorze filhos de  Margarida e Sinval, Rosália gastou grande parte da infância e a adolescência cuidando dos irmãos menores e ajudando a mãe na lida da casa. O pai não era de responsabilidades. Não ficava muito tempo num trabalho. Dizia que não gostava de serviço de roça. Gostava é de sair pra beber e pra jogar nos povoados e na vila vizinha. Às vezes ficava três dias sem aparecer em casa. Dona Margarida é que tinha que dar os “pulos” dela. Fazia sabão, plantava mandioca e fazia polvilho, criava galinhas. Tudo com o propósito de vender e conseguir algum dinheiro para os mantimentos. Tirava o mínimo para os filhos, mesmo com o coração apertado (galinha e ovos, raramente, pois precisavam do dinheiro deles para comprar coisas mais necessárias). Tempo difícil.

Rosália tornou-se uma moça muito bonita. Uma das mais bonitas do povoado. Mas aos quatorze anos ela já estava enamorada do Tião, um rapaz ali mesmo do povoado que nunca chamara a atenção de Rosália até o dia em que os olhos dos dois se cruzaram durante uma reza na capelinha.  Um amor que surgiu de repente e que tomou Rosália por inteiro.

Ficaram apenas no namorico. Tião não queria namoro sério. Queria aproveitar a mocidade. Farrear. Fazia o tipo “malandro”. Tinha ideias malucas. Era até chamado de “Tião Doidão”. Tinha planos de ir morar longe, na capital. E foi, deixando Rosália chorosa e sem esperanças.

De vez em quando, Tião aparecia no povoado, e o coração de Rosália se inchava novamente de amor e de ilusões. Mas depois ele ia embora, e ficavam a dor e a tristeza.

Muitos rapazes quiseram namorá-la. Rosália relutou. Depois a família começou a fazer pressão. Já estava com dezenove anos. Deveria esquecer Tião! Tião não era moço sério. Ela estava ficando velha, e moça velha não arruma casamento. Deus me livre de uma moça velha que não se casou!

Começou o namoro com Arlindo, primo segundo de Tião. Arlindo era moço bom,  tinha feito de tudo para namorá-la e estava louco de amores por ela. Marcaram o noivado. Tião, na capital, ficou sabendo.

No dia marcado, um domingo, Tião vai ao povoado firme na ideia de terminar com o noivado. Chega na casa de seus pais, onde as famílias estão reunidas na hora do almoço para o pedido e, parado debaixo da jabuticabeira na frente da casa,  pede um primo para chamar Rosália. Os dois conversam. Rosália volta para dentro. Tremendo, olha para os pais e para Arlindo. Ela não consegue dizer muito, apenas o suficiente.

Apesar da bronca da mãe, de Arlindo ter quase morrido de paixão, dois meses depois, Rosália se torna a mulher mais feliz do mundo: se casa com Tião. Vai morar na capital, onde não conhece nada.  Tião já tinha emprego lá. Ajudante de mecânico numa oficina de automóveis. Um barracão apertado e com um cheiro terrível de mofo. Não tinha problema. Ela estava ao lado do amor de sua vida, dele e inteiramente pra ele, na hora que ele quisesse. Era o que ela queria!

Filhos. Um atrás do outro. Aluguel. Muitas despesas. Pouco dinheiro. Ninguém perto para ajudar. Às vezes achava que não ia dar conta de tanta dureza, mas quanto Tião voltava pra casa à noite, esquecia as dificuldades, e quando ele a “juntava” na cama depois que os meninos dormiam e seu corpo flamejava, o mundo podia desabar que para ela não faria diferença.

Foi num sábado à tarde,  quando Rosália estava nos últimos dias de sua sétima gravidez, que policiais lhe chegam com a notícia mais triste que até então recebera. Houve um acidente. Ele estava debaixo do carro. O macaco que segurava o veículo cedeu. Depois disso, teve dificuldade em entender o que estavam dizendo. Não conseguiram levantar… Prensou… Médicos…  Não resistiu.

Permaneceu com Tião durante todo o velório e acompanhou o enterro até o fim, mesmo estando debilitada e no final de uma gravidez. Quando tudo terminou, teve uma crise de pânico, teve que ser controlada à força por parentes e foi levada ao hospital.

Quando saiu, parecia não saber quem era ou onde estava. Perdia os sentidos de tempos em tempos. Falava coisas sem nexo. Depois voltava ao normal temporariamente e, sempre que isso acontecia, chorava, ora calma, ora nervosamente.

O nascimento do bebê, três dias depois, piorou a situação. Rosália passou a revezar estados extremos de letargia e  de nervosismo (quando tentava arrancar os cabelos, se mordia ou rasgava as roupas do corpo) e deixou de “voltar ao normal” temporariamente.

João, irmão de Rosália, foi quem conseguiu a internação no hospital “para doidos”.  Os meninos foram espalhados nas casas de parentes. Dôra, irmã de Rosália que ainda não tinha se casado, assumiu os cuidados do recém-nascido, a quem registraram, sem que Rosália desse fé, como José e chamaram de Zezinho. Seis meses de internação.

Uma casinha muito simples na cidade sede do povoado foi comprada para Rosália e os filhos após a alta do hospital. Tião já não tinha mãe e, nessa época, o pai também havia falecido. A família dele tinha terras, e coube aos herdeiros de Tião como herança deixada pelos avós um  terreno, que foi vendido para a compra da casa.

Rosália tinha melhorado bastante, mas ainda não estava bem. Não tinha mais as crises de nervosismo, mas ficava apática a maior parte do tempo. Dôra foi quem se ofereceu para ficar morando com a irmã para ajudá-la. Ah! Se não fosse Dôra… Um ano morando com Rosália, ajudando com os meninos, na casa.  

Aos poucos, Rosália foi se recuperando. Aos poucos, também foi se apegando a Zezinho e aceitando a situação. Sentia tanta saudade de Tião que o peito doía, chorava todas as noites, às vezes tinha vontade de sumir no mundo. Foi da responsabilidade de mãe e do amor que tinha pelos filhos que veio a força para que ela continuasse.

Criar os filhos sozinha foi uma batalha. Ainda bem que Tião tinha emprego de carteira assinada e deixou um salário mínimo de pensão. A família queria ajudar, mas ninguém era “bem de vida” e podia ajudar muito. A mãe também tinha menino pequeno e vivia numa labuta danada. Os meninos mais velhos olhavam os mais novos quando não estavam na escola, Rosália lavava roupa para os outros, fazia doces para vender,  buscava lenha no mato e vendia os feixes (arroz e feijão, pelo menos, nunca faltou na mesa) e, ainda, tinha que dar conta do serviço de casa (as meninas mais velhas ajudavam), mandar crianças para a escola.  Como ela dizia, “era um lufa-lufa”!

Os filhos começaram a trabalhar assim que possível. Quando estavam com mais ou menos doze anos, já arrumavam serviço. Os homens, como entregadores em armazéns ou lavadores de carro, em postos de gasolina, como ajudantes de pedreiro. As mulheres, sempre em casas de família. Estudo, quando demais  até a oitava série. Naquela época, era tudo muito diferente de hoje.

Os filhos cresceram. Apesar de toda a paciência e esforço da mãe, alguns deles eram rebeldes ou problemáticos, pareciam revoltados com a vida.  Josélia e    Otávio, os mais velhos, eram os únicos centrados, ajuizados. Joaquim se envolveu com maconha e protagonizou alguns pequenos roubos, um desgosto para Rosália. Rosemeire, a moça mais nova, engravidou aos dezesseis anos, saiu de casa e deixou a filha para  Rosália criar. Adélia e Zezinho eram tristes e calados. Mas a tristeza maior foi a morte de Valdir, aos vinte e cinco anos, num acidente de ônibus. Outra perda enorme para Rosália.

Levou tempo para as coisas melhorarem. Depois que todos os filhos se casaram, foram se acomodando, criando juízo (Rosimeire é que nunca “tomou jeito”) e Rosália pôde ter um pouco de tranquilidade. Pudera! Ela já estava com sessenta anos!

Os últimos anos de vida foram ao lado  de Emily, a filha de Rosimeire que Rosália havia criado. Foi bom ela ter criado Emily,  pois tinha uma companhia agradável e afetuosa. Emily adorava a avó e a enchia de carinhos. Conhecia toda a sua história, contada por Dôra, considerava-a como mãe e sentia muito orgulho dela.

Numa manhã fria de julho, Emily penteava o cabelo da avó quando ela sentiu uma forte dor no peito, que depois se estendeu para os braços, pescoço e ombros. A respiração ficou curta. As cores lhe sumiram do rosto. “O que foi, vó?” Rosália não conseguiu responder. O socorro chegou rápido.

A caminho do hospital, Emily segurava a mão da avó e passava a mão por sua testa. A ambulância sacolejava de vez em quando.  Rosália, na maca, ainda conseguiu dizer para a neta: “Não se desespere, minha filha. A vó está bem.”  Com um sorriso nos lábios e um brilho nos olhos nunca visto por Emily, desfaleceu. O atestado de óbito registrou o horário da morte antes da entrada no hospital.

Emily olha para o caixão já depositado na sepultura. Desfolha calmamente cinco botões de rosa que trouxe para o enterro, jogando as pétalas sobre o caixão enquanto os coveiros jogam terra sobre ele. “A vó deve estar feliz. Vai se encontrar com o vô. Hoje vai ser dia de festa no céu!”

Olhou ao redor. Apenas vasos com flores de plástico sobre as sepulturas. Compraria vasos e mudas. Cultivaria lindas flores para enfeitar o túmulo da avó.

Texto de Carmélia Cândida publicado no site GRNews, na coluna Nosso Tempo. (Clique AQUI para ler todos os textos de Carmélia Cândida no site GRNews).

 

Carmélia Cândida    07:41:30 — Arquivado em: Contos, Variedades


17.11.11

Viveu a vida que quis

Solitários. Assim tinham sido seus últimos anos. Os filhos, cada um cuidando da sua vida. As ex-mulheres, idem. No apartamento, apenas ele e dona Rosa, a empregada que estava com ele nos últimos anos.

Naquela tarde de agosto, do alto dos seus 78 anos, sentado na pequena varanda do apartamento e tomando seu suco verde preparado com água de coco, Otávio pensava no que fora sua vida.  Não se arrependia de nada.  Tinha vivido a vida que quis.

Quando se formou em medicina, recebeu do pai um belo consultório. Especializou-se em endocrinologia. Logo se tornou um médico reconhecido e respeitado. Os pais se foram cedo e, filho único, herdou  fazendas de gado e alguns imóveis espalhados pelos lugares mais caros da cidade.

O primeiro casamento veio aos 27 anos, com Dulce, uma das moças mais bonitas daquela sociedade interiorana.  Era uma mulher cheia de atributos. Otávio a amava e até a queria como esposa  pelo resto da vida. Mas ele era muito atraente e não faltavam mulheres aos seus pés, e Otávio simplesmente não resistia. Era sensível por demais ao cheiro feminino. Amava estar entre seios, coxas e vaginas diferentes. Ah! Os cheiros das vaginas! Como resistir?!?

Quatorze anos. Foi o tempo máximo para Dulce.  Cansada de ficar em casa cuidando dos dois filhos enquanto Otávio curtia seus “cheiros”, anunciou a separação. O acordo foi feito, a pensão foi acertada e Otávio comprou um apartamento luxuoso para a ex-esposa e os filhos. Na divisão dos bens, teve que se dispor da sua melhor fazenda e de alguns imóveis, o que ele não lamentou. Nessa época,  havia se envolvido  e encantado com Mara, uma jovem de 20 anos, pobre, sem estudos, disposta a  subir na vida a qualquer custo.

Mara não era nenhuma beldade, mas tinha o frescor da juventude, um corpo delgado e convidativo. E era sensual, ousada. Fazia loucuras na cama e tinha uma vulgaridade tal que tonteava Otávio. Nunca uma mulher o excitara tanto e lhe dera tanto prazer como Mara. Ah, e o cheiro da vagina dela! Era  uma droga das mais viciantes.

Logo Mara se mudou para a ampla casa, com área de lazer, piscina e empregados, onde Otávio vivera com Dulce por quatorze anos. Era tudo que ela queria. E mais as roupas de butiques de luxo, os sapatos, as joias, o BMW, as viagens, as festas.  Com a chegada da  nova “esposa”, Otávio diminuiu seus horários no consultório.  Todo o tempo possível deveria ser gasto com ela! Mara era tão fascinante que, por várias vezes, convidou amigas para participar de brincadeirinhas sexuais com ela e Otávio. Também aceitou ir a casas de swing por mais de uma vez, com desempenhos que deixaram Otávio sem ar. Era maravilhosa!

Após o furor do primeiro ano de convivência, a disposição de Mara para o sexo começou a diminuir. E foi diminuindo mais e mais à medida que o tempo passava. No começo, fingia interesse e continuava a satisfazer os desejos do marido. Depois que engravidou e teve Isabela, estava sempre cheia de desculpas e vivia “escapando” de Otávio. Ela só se preocupava em comprar, gastar, sair com amigas e viajar. Tudo bancado por Otávio. A filha ficava sempre aos cuidados de babás e enfermeiras. Mara nunca  perdeu uma noite de sono cuidando da menina ou sequer trocou-lhe uma fralda. Otávio voltou a buscar novos cheiros. 

Não houve  brigas, nem discussões, apenas um acordo judicial que rendeu a Mara uma parte do patrimônio de Otávio. Após longos oito anos, Mara se foi, com a filha. Pouco tempo depois, casou-se com um estrangeiro e foi morar no exterior.

Depois de Mara, Otávio decidiu que não colocaria mais mulher para viver com ele debaixo do mesmo teto. Teria, sim, muitas mulheres, muitos cheiros diferentes. Ah! Os cheiros! Mas seu estado civil seria solteiro. Estava livre! Queria viver tudo que há pra viver.

Otávio era  quase um cinquentão. Continuava atraente e não tinha problemas em achar companhia. Foram muitas, incluindo prostitutas baratas e também de luxo. De diversos tipos, classes sociais, cores, cheiros. Ele não tinha preconceitos. Trabalhava pouco e gastava seu tempo com mulheres (na maioria das vezes, bem mais jovens que ele).  E não se importava em gastar dinheiro com elas. Ainda tinha imóveis de aluguel e uma fazenda. Presentes caros e viagens faziam parte dos romances. Sua fama era conhecida, e muitas mulheres, sabendo disso, iam procurá-lo,  oferecendo  companhia. Ele não recusava nenhuma. Sexo! Bebidas! Orgias! Era uma vida intensa e de prazer. Foi assim por quase vinte anos após o rompimento com Mara.

Gastou tudo que tinha. E bem gasto, dizia ele. Vendeu bens para pagar dívidas. Quando o dinheiro foi acabando, as mulheres foram diminuindo. Até ele ficar só. Não sobrou nenhuma.  No fim, ficou apenas com um apartamento modesto e a aposentadoria, que lhe permitia pagar a empregada  e as despesas básicas.

As dores do reumatismo iam e vinham. Já tinha se recuperado bem das sequelas do AVC que sofrera quatro anos atrás. A pressão arterial é que estava se descontrolando nos últimos dias. Às vezes sentia falta dos filhos, que lhe faziam visitas breves e espaçadas. Com Isabela, quase não tinha contato. Dulce é que telefonava de vez em quando para saber como ele estava. Como era bom falar com ela!

Sentia que não lhe restava muito tempo de vida. Não se entristecia com isso. Ao contrário, sentia-se bem. Receberia a morte com alegria e serenidade. Não que tivesse tido uma vida infeliz, é que já tinha vivido muito. E tudo que ele queria viver. Estava satisfeito.

Lá fora, o vento balançava as folhas das árvores. Alguns redemoinhos podiam ser vistos, ao longe.    Fechou os olhos e, com um sorriso no canto dos lábios,  disse para si mesmo: “valeu a pena”. Naquela noite, teria sopa de batatas no jantar.  Dona Rosa  não demoraria a vir levá-lo para dentro. O sol já estava quase se pondo.

Texto de Carmélia Cândida publicado na coluna Nosso Tempo, no site GRnews em 12/11/11

Carmélia Cândida    18:36:52 — Arquivado em: Crônicas


1.11.11

Across The Universe

Não sou fã de musicais, mas este filme eu adorei! Fantástico!

Todas as canções são dos Beatles. Belas imagens e belos clipes musicais. Personagens cativantes e uma história muito bem contada. Participações pra lá de especiais de  Bono (AMEI!), Joe Cocker e Salma Hayek. Inveja de quem não viu e ainda vai ver…

Diretor Julie Taymor  Elenco Evan Rachel Wood, Jim Sturgess, Joe Anderson, Dana Fuchs, Martin Luther, T.V. Carpio, Spencer Liff, Ano 2007 País EUA Gênero: Musical

Carmélia Cândida    14:10:08 — Arquivado em: Filmes/séries


Desenvolvendo o gosto pela leitura - Palestra

Palestra gratuita com o professor Flávio Marcus da Silva, na Faculdade de Pará de Minas, no dia 19 de novembro de 2011, sábado, às 9 horas.

Quem não for aluno da Fapam Faculdade e quiser se inscrever gratuitamente para a  palestra "Desenvolvendo o gosto pela leitura", é só ligar para o Centro de Extensão da FAPAM - CEFAPAM (37-3236-1308).  

Com certeza, quem for vai gostar!

 

 

Professor Flávio Marcus da Silva:

Flávio Marcus da SilvaNascido em Pará de Minas - MG em 1975. Possui graduação em História pela Universidade Federal de Minas Gerais (1997) e doutorado em História pela Universidade Federal de Minas Gerais (2002), com estágio (Doutorado-sanduíche/CAPES) na Universidade de Lisboa - Portugal (2002). Atualmente é Vice-diretor da Faculdade de Pará de Minas - Fapam (MG), onde já exerceu os cargos de coordenador do curso de História, coordenador do NUPE - Núcleo de Pesquisa, e foi professor nos cursos de História e Administração. Atualmente leciona nos cursos de Direito e Pedagogia. Tem experiência na área administrativa/coordenação e na área de História (graduação e pós-graduação), com ênfase em História do Brasil, História Econômica, História do Direito, História da Educação, Metodologia do Ensino de História e Metodologia da Pesquisa Histórica. É autor do livro SUBSISTÊNCIA E PODER: a política do abastecimento alimentar nas Minas setecentistas (Editora UFMG, 2008) e de artigos publicados em periódicos e livros da área de História. Um de seus trabalhos foi publicado no livro HISTÓRIA DE MINAS GERAIS - As Minas Setecentistas (Editora Autêntica, 2007), obra vencedora do PRÊMIO JABUTI 2008 na categoria Ciências Humanas. Atualmente exerce também a função de Pesquisador Institucional da Faculdade de Pará de Minas junto ao Ministério da Educação, sendo responsável pelo acompanhamento dos processos de autorização, reconhecimento e renovação de reconhecimento dos cursos de graduação da IES. Em 2009 foi eleito para a Academia de Letras de Pará de Minas. (Fonte: site do professor: www.nwm.com.br/fms/)

Carmélia Cândida    09:49:10 — Arquivado em: Eventos, Variedades


27.10.11

A melhor resposta - Martha Medeiros

Gostei muito do texto a seguir, da escritora Martha Medeiros. Ele vai ao encontro daquilo em que acredito.

Para saber quem somos, basta que se observe o que fizemos da nossa vida. Os fatos revelam tudo, as atitudes confirmam. Quem é você? Do que gosta? Em que acredita? O que deseja?

Dia e noite somos questionados, e as respostas costumam ser inteligentes, espirituosas e decentes. Tudo para causar a melhor impressão aos nossos inquisidores. Ora, quem sou eu. Sou do bem, sou honesto, sou perseverante, sou bem-humorado, sou aberto - não costumamos economizar atributos quando se trata da nossa própria descrição.

Do que gostamos? De coisas belas. No que acreditamos? Em dias melhores.
O que desejamos? A paz universal. Enquanto isso, o demônio dentro de nós revira o estômago e faz cara de nojo.

É muita santidade para um pobre-diabo, ninguém é tão imaculado assim. A despeito do nosso inegável talento como divulgadores de nós mesmos e da nossa falta de modéstia ao descrever nosso perfil no Orkut, a verdade é que o que dizemos não tem tanta importância. Para saber quem somos, basta que se observe o que fizemos da nossa vida.

Os fatos revelam tudo, as atitudes confirmam. O que você diz - com todo o respeito - é apenas o que você diz.

Entre a data do nosso nascimento e a desconhecida data da nossa morte, acreditamos ainda estar no meio do percurso, então seguimos nos anunciando como bons partidos, incrementamos nossas façanhas, abusamos da retórica como se ela fosse uma espécie de photoshop que pudesse sumir com nossos defeitos. Mas é na reta final que nosso passado nos calará e responderá por nós.

Quantos amigos você manteve. Em que consiste sua trajetória amorosa. Como educou seus filhos. Quanto houve de alegria no seu cotidiano. Qual o grau de intimidade e confiança que preservou com seus pais.

Se ficou devendo dinheiro. Como lidou com tentativas de corrupção. Em que circunstâncias mentiu. Como tratou empregados, balconistas, porteiros, garçons. Que impressão causou nos outros - não naqueles que o conheceram por cinco dias, mas com quem conviveu por 20 anos ou mais.

Quantas pessoas magoou na vida. Quantas vezes pediu perdão. Quem vai sentir sua falta. Pra valer, vamos lá. Podemos maquiar algumas respostas ou podemos silenciar sobre o que não queremos que venha à tona. Inútil. A soma dos nossos dias assinará este inventário. Fará um levantamento honesto.

Cazuza já nos cutucava: suas idéias correspondem aos fatos? De novo: o que a gente diz é apenas o que a gente diz. Lá no finalzinho, a vida que construímos é que se revelará o mais eficiente detector de nossas mentiras. …

"Nada tenho a ver com não gostar de mim. Me aceito impura, me gosto com pecados, e há muito me perdoei."

Martha Medeiros

 

Carmélia Cândida    13:27:19 — Arquivado em: Crônicas


26.10.11

Obrigada e parabéns

 

Faz mais de três anos que deixei o magistério e, no último Dia dos Professores, fiquei surpresa ao receber mensagens de felicitações de duas ex-alunas. Uma delas deve estar com seus dezoito anos e foi minha aluna aos nove/dez. A outra foi do ensino médio, uns dois anos antes da minha saída do magistério.

Como as mensagens me tocaram! Lendo-as, lembrei de um texto escrito pela minha amiga Sandra Aguiar*, professora, no qual, também por ocasião do Dia dos Professores, presta uma homenagem aos educandos que “sempre se esforçaram e sempre contribuíram para o bem-estar e a harmonia da sala de aula”. As mensagens e os texto remeteram-me aos tempos de convivência com meus alunos. Lembrei-me de outros “recados” carinhosos, semelhantes aos que recebi no último fim de semana, que recebia diariamente quando dava aulas. Também vieram-me à mente outras mensagens que continuei a receber após ter deixado as aulas (procurei e reencontrei várias delas). E me senti muito bem.

Quando deixei o magistério, estava extremamente cansada e descrente. Isso se deu por diversos fatores, entre eles decepção com o sistema educacional brasileiro; excesso de trabalho, de reuniões, de cobranças (incluindo as pessoais); dificuldade em conciliar horários fora da jornada de trabalho em duas escolas; desânimo pela resistência comigo vinda de alguns (poucos) alunos do ensino médio, pois uma convivência prazerosa e harmoniosa era tudo para mim na sala de aula. Por um tempo, esqueci as coisas boas do magistério e, talvez com algum exagero, foi como se o trabalho esforçado, comprometido e dedicado de dez anos não tivesse existido ou fizesse pouco sentido para mim.

As mensagens que recebi, entretanto, iniciaram o resgate de um sentimento e de uma consciência que estavam lá no íntimo. Revivendo o carinho e o reconhecimento da maioria dos alunos que tive, revivi o sentimento de que, sim, foi significativo o que vivi com eles, principalmente com os menores, para ambas as partes. Como nada é perfeito, houve momentos ruins, falhas minhas, alunos a quem eu não agradei e alunos cujas atitudes me deram até uma forcinha para querer deixar a profissão. Mas agora tudo passou e tudo ficou para trás, e o que eu quero guardar são as boas lembranças e o carinho e o reconhecimento recebidos. Carinho e reconhecimento que se manifestam na forma de cumprimentar, num sorriso sincero, numa simples conversa num encontro corriqueiro ou mesmo em mensagens escritas. Claro que há ex-alunos que mal (ou nem) me cumprimentam na rua, mas aqueles que fazem o contrário valem por todos estes.

Não é que a gente se esforce para fazer um bom trabalho esperando algo em troca. A gente se esforça e quer dar o nosso melhor porque acredita que é assim que tem que ser. Mas é inegável que o reconhecimento faz bem (não puxa-saquismo, Deus me livre!), nos conforta, nos motiva e nos deixa felizes. Sem ele, seguimos do mesmo jeito; com ele, seguimos melhores.

Neste mês em que se comemora o Dia do Professor, agradeço a todos os meus ex-alunos que não se esqueceram de mim e que por mim têm consideração. O escritor e contador de histórias mineiro Olavo Romano diz, falando sobre educadores, que, “no fim de tudo, o que fica é o que somos como pessoa, o que espelhamos para os nossos alunos…. O que passamos como seres humanos”, e eu espero que tenha conseguido espelhar e passar muitas coisas boas para os alunos. Agradeço também aos professores que tive e que foram essenciais na minha formação para a vida inteira. Tenho o maior carinho por eles e os considero de extrema importância em minha vida. Como uma das minha ex-alunas disse na mensagem dela: a vocês, “o meu simples, mas eterno OBRIGADA”!

E parabéns a todos os professores pela garra, pela luta diária, por todo o esforço e dedicação, apesar das dificuldades.

Um grande abraço!

1. Para ler o texto de Sandra Aguiar, clique AQUI.

2. Este texto está publicado na coluna Nosso Tempo, que eu assino, no site GRNews.

 

Carmélia Cândida    08:02:44 — Arquivado em: Crônicas, Observações e impressões, Pessoal, Variedades


25.10.11

Vidas em Resgate - Maurílio Silva

Hoje, 25/11/11, às 20 horas, o pará-minense Maurílio José da Silva lançará seu livro Vidas em Resgate, na Casa da Cultura (praça Torquato de Almeida, 22, centro - Pará de Minas-MG)

Nas palavras do próprio Maurílio, "a história começa com o nascimento de uma criança. (…) Aborda, também, a briga entre irmãos por uma herança, e tudo vai marcando a vida dessas pessoas. Somados aos problemas existentes, em cada um se manifestará de forma diferente as consequências: revolta, sentimentos de vingança, uso de drogas. São muitas emoções na vida de cada personagem. Mas há outras pessoas que ajudarão eses personagens a se levantarem e a retomarem suas vidas."

 Maurílio José da Silva teve outro livro publicado em 2000, "Palavra da Salvação", com comentários sobre os Evangelhos. Está terminando o curso de Técnico em Eletrônica e é ator do Grupo de Teatro Iluminart.

A ele: PARABÉNS!!! E sucesso com o livro!

 

Carmélia Cândida    07:40:40 — Arquivado em: Eventos, Livros


19.9.11

Campanha Itaú distribui livros de graça!

Para receber em casa, sem custos, os livros da coleção, basta fazer um cadastro rápido no site: http://www.itau.com.br/itaucrianca/

Aplausos para esta iniciativa do Itaú!

Livros que estão sendo distribuídos este ano:

Peça já os seus e leia para uma criança!

Carmélia Cândida    17:05:58 — Arquivado em: Sem categoria
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